José Fontes, Coordenador Geral do Evento Feira do Empreendedor, organizado pela ANJE, em entrevista ao B2B Netwriters, fala do programa de impulso a novos negócios e de janelas de oportunidades na atual conjuntura de crise em Portugal.

Existe algum tipo de “soluções anticrise” que possamos encontrar na Feira?

O programa New Business Accelerator afigura-se como um forte impulso ao empreendedorismo jovem. Ora, a nosso ver, a solução para a atual crise passa, em boa medida, pelo crescimento do empreendedorismo. A capacidade de não nos resignarmos perante as adversidades que o país enfrenta depende muito do espírito empreendedor que os portugueses revelarem, em particular as novas gerações.

Importa ter a noção de que, de facto, o empreendedorismo cria riqueza e postos de trabalho. Ora, sem criação de riqueza, Portugal não conseguirá consolidar as finanças públicas e amortizar a dívida soberana. Assim como, sem criação de postos de trabalho, o desemprego no nosso país tenderá a agravar-se para níveis social e eticamente incomportáveis.

Num período conturbado como o atual, acha que ainda existe viabilidade em empreender em Portugal?

Naturalmente que temos consciência dos entraves que se colocam hoje ao empreendedorismo: o crédito bancário é escasso e caro, o mercado doméstico está em forte contração, os mercados de destino das nossas exportações encontram-se em recessão e a carga fiscal não para de subir.

Ainda assim, há janelas de oportunidade que podem ser abertas pelos nossos jovens qualificados, aproveitando os incentivos comunitários e públicos ao empreendedorismo, bem como as condições que as associações empresariais, as universidades e as instituições promotoras do desenvolvimento estão a dar para a criação de start-ups. Por outro lado, alguns custos de contexto baixaram significativamente por efeito da crise, sendo hoje, por exemplo, bastante mais acessível a contratação de recursos humanos qualificados.

Quais são as suas perspetivas para a Feira do Empreendedor, para este e para os próximos anos?

As dificuldades económicas do país reforçam a nossa obrigação de melhorar, de ano para ano, a qualidade e a abrangência da oferta de produtos e serviços destinados ao empreendedorismo. Sendo o empreendedorismo uma das principais vias de integração profissional em conjunturas de retração do mercado de trabalho, é importante que a Feira do Empreendedor apoie cada vez mais e melhor os jovens nos seus processos de criação do próprio emprego. Ou, em alternativa, que seja capaz de reunir empregadores com ofertas de emprego em quantidade e qualidade para os jovens que nos visitam.

No fundo, a Feira do Empreendedor vai continuar a incutir esperança na nossa juventude, ao apontar o empreendedorismo como uma janela de oportunidade para quem deseje realizar-se profissionalmente.

Veja a primeira parte da entrevista