São três as evoluções previstas nas Tecnologia, Media e Telecomunicações em 2010 que a Deloitte acaba de apresentar: a especialização dos dispositivos, a multiplicação dos conteúdos e formatos (e tentativa de se fazer cobrar por esses serviços), assim como novas oportunidades para os media tradicionais.Os fabricantes de dispositivos serão verdadeiros criadores de experiências e assumem uma posição de relevância face aos produtores de conteúdos. A nova tendência de consumo aponta para utilizadores que preferem ter vários dispositivos para cada uma das suas utilizações, em vez de convergir, tal como se esperava.

Existe uma tendência crescente do consumo de conteúdos, por um lado, com os indivíduos a despender cada vez mais tempo para esse efeito, por outro, com um crescente investimento na facilitação desse consumo por parte dos media.

Ao nível da imprensa vai existir um esforço para melhorar o cenário de resultados obtidos nas suas publicações online, através do pagamento pelo consumidor, recorrendo a pay walls (cobrança por acesso ao conteúdo) e micropagamentos (cobrança por conteúdos “um pouco de cada vez”). No entanto, a maior parte das receitas online continuará a ser da publicidade na web.

Ao nível da televisão destaca-se dois grandes fenómenos: o domínio da grelha de programação e a TV 3D. A grelha de programação é um elemento muito forte, sobretudo quando combinado com a componente real life, no qual o consumidor sente a adrenalina de estar a presenciar os acontecimentos em directo. No próximo ano, mais de 90% dos conteúdos televisivos e mais de 80% dos conteúdos de áudio serão transmitidos em real-time. O consumo linear continua a dominar face a outras tecnologias, como Gravadores de Vídeo Pessoais (PVRs),  Pay-per-view,  Televisão On-demand,  Podcasts e Serviços de música On-line.

Após o sucesso do 3D no cinema, espera-se que chegue também ao sector da televisão e traga novas fontes de receita. Contudo, é importante gerir as expectativas quanto ao impacto desta tecnologia, pois para o consumidor são experiências muito diferentes. Ao nível da TV 3D, para o consumidor, também existem diferenças de acordo com as várias tecnologias adoptadas pelo sector, como os óculos de lentes encarnadas e azuis (anaglifo), o conjunto de televisores 3D com taxas superiores a 120 Hz com óculos especiais ou ainda os Televisores 3D com óculos polarizados (low cost). Espera-se que nos próximos dois anos se estabeleça um standard na indústria.